O cinema realizado no Brasil no final da década de 1960 se divide em duas vertentes absolutamente antagônicas, de um lado o Cinema Novo em sua segunda fase, com filmes mais herméticos e bem diferentes de um primeiro momento em que era impregnado de neo-realismo e de uma temática social e política. E na contramão disso vinha o cinema de invenção, repleto de humor e poesia, com ingredientes que iam da Nouvelle Vague às Chanchadas, passando por um tropicalismo de sarcástico e irônico.
Um cinema de olhos e alma livres, que conseguiu sem a pretensão de, conquistar um público que o Cinema Novo não fora capaz de tocar.
No centro deste furacão criativo estava o olhar de Rogério Sganzerla, um artista que assim como Glauber, seu antagonista estético maior, foi precoce em sua vida, publicou um livro de contos aos sete anos, um roteiro aos onze e aos dezesseis já escrevia críticas de cinema para o Suplemento Literário do jornal Estado de São Paulo.
Rogério foi genial em tudo o que fez, nas críticas de uma lucidez impressionante que antevia um cinema que demorou a acontecer, e em filmes de absurda força narrativa, emblemáticos e eternos em sua atemporalidade.
A Ocupação Rogério Sganzerla, grande exposição que passou pelo Itaú Cultural de São Paulo e que tivemos a alegria de visitar, foi uma obra aberta da alma e da mente inquieta deste artista. Um mapa para se entender a vida multifacetada e rica de Rogério, uma preciosa oportunidade para se ler os seus roteiros que não foram filmados, para ouvir a sua voz dizendo textos proféticos e para entender como ele conseguiu alcançar todas as formas de arte, sem fronteiras e sem limites.
Uma oportunidade rara para se admirar um artista que passou meteoricamente pelo nosso planeta.
Por Roberta Canuto




