Os anos setenta marcaram a consagração de toda a liberdade por que batalhou na década anterior, uma explosão contracultural que se traduziu no comportamento e na arte, que na realidade, eram uma coisa só naquele momento.
O artista e sua obra eram estandartes dessa conquista, e no Brasil havia a missão ainda mais desafiadora de se manifestar em uma década que, politicamente, foi a mais difícil. Um tempo marcado pelas torturas, pela morte de articuladores da esquerda e pela tentativa se amordaçar o país através da truculência.
Em meio a todo este caldeirão fervilhando a 50 graus, treze homens decidiram criar um espetáculo que fosse a tradução daquele momento e do desejo libertário de fazer desmoronar preconceitos e transformar o mundo através da arte e da irreverência. Os Dzi Croquetes iam além de qualquer rótulo, eram performáticos, andrógenos e musicais, eram homens e mulheres em cena.
Os diretores Tatiana Issa e Raphael Alvarez conseguiram revelar, em pouco mais de uma hora, todas as vertentes daquele furacão libertário. O filme exala a sensibilidade e a irreverência que regia o grupo, e principalmente, o amor que os unia, o sentimento de família que dava uma amalgama poderosa àquela trupe livre de qualquer amarra.
O documentário foi consagrado na maioria dos festivais por onde passou, sua força arrebatadora deixa no público um desejo irresistível de ter vivido junto daquela energia e de ter compartilhado daquele sonho de inventar um mundo mais livre.
Por Roberta Canuto






