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Assista aqui o último programa na íntegra!
Natália Lage entrevista o documentarista, roteirista, diretor e montador Pedro Asbeg.
Programa - 026/870 - 07-12-13
REVISTA - Sobre sete ondas verdes espumantes

Caio Fernando Abreu, jornalista e escritor, é a figura mais querida, venerada, citada, por poetas, cineastas, pessoas do teatro e sonhadores, vinda do nosso estado mais ao sul, nessa nossa contemporaneidade. Quando se viaja pelo país um bocado e se entra em rodas de conversas com pessoas apaixonadas pelas letras, pelos ditos que se façam por frases e textos de elaboração direta e sem muitas metáforas (dos que falam de paixão, amor, desespero e encantamento com o mesmo vigor literário), Caio F. lubrifica olhos, desperta sorrisos melancólicos, acende o tempo, e é citado como se fosse o vizinho querido que tem dons que os nossos mais próximos não têm.

Mas os diretores do documentário Sobre Sete Ondas Verdes Espumantes – título retirado diretamente da obra dele e que, quando de sua vez no filme, imprime, ou melhor, fecha, complementações de estruturas quase físicas (dá sentido, espelha o lido por imagens, amarra todos os campos narrativos usados pelo tempo todo) -, ao notarem a potência do que dizia e o quanto falava aos mais diversos tipos de seres, entenderam de modo surpreendentemente raro que o que ele escreveu, o que ele disse em algumas gravações filmadas, por si só cumpririam a função de um amontoado outro de possibilidades normalmente usadas para elucidar/apresentar quem é documentado. Ao invés de fundarem as bases do filme sobre depoimentos e entrevistas (sim, os há, mas muito poucos), ou sobre documentos palpáveis (sim, há as imagens, mas poucas, e casando de forma concreta com a utilização espetacular das imagens que são tentadas por todo o tempo), entregaram suas palavras, seus textos para os seus fãs/amigos lê-los (artistas das mais diversas origens, principalmente), espertamente atentos de tudo o que ele fizera nas letras contaria muito mais dele do que qualquer outra atitude de busca, estudos e edições espertas conseguiriam.

Na realidade, Bruno Polidoro e Caca Nazário como que “inventaram” um modo de fazer documentário, onde, diante da extensão do que tinham à mão (que são as palavras e ideias de um homem – por si só documentos suficientes –, vivas e à disposição pata quem necessite desvendá-lo), contiveram-se diante das situações possíveis e facilitadoras de cartilha que existem, e do canto de sereias das ostentações por exibicionismo técnicos (como a execução de elipses mais cheias de fru-frus, ou a chance de ficcionalização, por exemplo). E como não aproveitar quando o próprio documentado pode se contar por si só e deixar com que os fizeram um fenômeno de admiração completassem um outro quinhão das informações, cumprindo a missão (talvez a mais ansiada por todos que admiram Caio F.) de lê-lo e algo falar dele? Num jogo de elaboração que transita pelos tempos concretos e pelas sensações que geraram os textos, a obtenção pelo ajuntamento ordenado quase de forma linear – poder-se-ia dizer, pois se vais nos rastros deixados pelos textos, que contam de seus momentos e de seus deslocamentos (aliás, pelo visto, uma necessidade diante de suas inquietudes e buscas: um não querer estabelecer-se para sempre num mesmo sítio) – criou fluxo, permitiu fluidez plácida, mesmo que por muitos instantes a violenta paixão carnal fosse a narrada em tela.


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