Quartas, às 24h, na TV Brasil
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Natália Lage entrevista o documentarista, roteirista, diretor e montador Pedro Asbeg.
Programa - 003/847 - 29-06-13
REVISTA - NOVA ONDA

Onda Zero foi a primeira webserie brasileira. Foi produzida em um período no qual ainda se pensava que mundo acabaria em 2012, quando os brasileiros achavam que 2 gigas faria a internet rápida e quando os vídeos começaram a fazer parte do cardápio dos melhores navegadores. Mas como daria certo? Como fazer um navegador se deter por cerca de 12 minutos em um vídeo na internet? Pois quem navega não teria como objetivo a própria navegação? Porque se deter num entretenimento audiovisual? Pra isso já havia a tv, o dvd, o cinema e a própria pirataria, que ainda não era online.

O Onda Zero precisaria inovar, precisa que algo de muito interessante ocorresse nos primeiros segundos, caso contrário, o clique do mouse falaria mais alto. Trazer um conteúdo de ficção científica parecia uma boa solução. Tudo poderia começar com uma grande explosão, então a história seguiria por si. Para os meninos teria ação, efeitos especiais e mistério. Para as meninas, talvez um romance em meio ao caos apocalíptico ou um mocinho bonito pronto para ser socorrido. Isso já seria um começo. Mas Onda Zero não foi apenas a primeira webserie brasileira, foi uma série de 4 episódios de ficção científica, com bom roteiro e qualidade técnica, isso também já bastaria naquele momento. Mas o projeto Onda Zero, pode ser visto como um marco que fez o diretor Flavio Langoni repensar o próprio produto audiovisual. Pois a internet se tornou o grande problema dos produtos audiovisuais, a pirataria tornou estes produtos acessíveis a custo zero. Porque alugar um filme ou mesmo ir ao cinema se é possível assistir de graça? Sem perder tempo no trânsito, sem pagar estacionamento do shopping e por aí vai... Por outro lado, como as produtoras e distribuidoras poderiam lucrar através da internet? Simplesmente cobrar para que assistam ao filme? Para Flávio a questão é mudar o foco do que seria o produto audiovisual. Com a internet o filme, seja no formato dvd ou de ingresso de cinema, deixaria de ser “o produto” a ser comercializado. Ao invés disso, ele estaria disponível nas redes, gratuito, para quem quiser ver, para todos que quiserem copiar aliás, quanto maior o número de downloads melhor.

Mas porque? Qual seria a vantagem para negócios? Assim entraria o merchandising, um velho conhecido do cinema. Na internet, o produto não é mais o filme, mas o que está nele, o que ele contém, o que os personagens vestem, comem, por onde eles andam. E quanto mais o filme for visto, quanto maior o número de donwloads, maior o número de pessoas assistindo o que seus personagens favoritos consomem. A imagem apocalíptica da pirataria do terceiro milênio parece ter um horizonte, daqui pra frente é preciso contar ainda com o bom censo e o bom gosto, tão caros às relações entre o cinema e a publicidade.


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