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Natália Lage entrevista o documentarista, roteirista, diretor e montador Pedro Asbeg.
02-12-11
COLUNISTA CONVIDADO - Elizabete Martins Campos


Onde o cinema me leva - Cinema é luz que eleva o sonho

Às vezes tento explicações para o que me levou ao cinema. Sei que meu pai e meu irmão mais velho resolviam problemas da antena que dava sinal para as TV’s da cidade de Alvarenga, Minas Gerais, onde morei até meus quatro anos de idade. Devo ter visto aí os primeiros ”enlatados”.

Mais fácil dizer é ao que me leva o cinema. Por mais trabalhoso e desafiador que seja a tentativa de vivenciar algo por meio de imagens e sons, a definição de uma ideia, a criação de uma estratégia de realização é algo fascinante e envolvente. Foi assim com o “Feira Hippie”, meu primeiro média-metragem, que me levou aos estudos de Néstor Gárcia Canclini. Eu era estudante e escrevi o meu primeiro argumento/monografia, aliando filme e jornalismo.

O cinema me levou ao “Raízes do Brasil”, quando conheci, pessoalmente, Nelson Pereira dos Santos, que estendeu suas letras e escreveu sobre o “Feira Hippie”, chamando seus personagens de “reis do anonimato” e com seu “Vidas Secas”, me levou a Graciliano Ramos, que viria a influenciar no meu primeiro curta de ficção “Que Coso”, que me levou a experimentar produzir com pessoas que nunca haviam feito filmes, em uma cidade que respira carros, Betim.

No Vale do Jequitinhonha, fiz o “Vale do Barro”. A luz e o som daquele lugar foram treinamentos, que me conduziram à Rede Minas, ao programa Agenda que me levou aos festivais de cinema, seus filmes, cineastas, produtores e público - uma escola.

Cinema para mim é mágica. Uma forma de dar vazão aos sonhos e ideias, novas vivências, aguçar o espírito parado, criar movimento. Sem limites, mas com compromissos. O cinema me levou à UFMG, que me levou ao cinema expandido, ao sentido da montagem, a Serguei Eisenstein, Norman Mclaren, aos planos sequências fabulosos do “Soy Cuba”, do diretor Mikhail Kalatozov e do diretor de fotografia Sergei Uruseysky e outros gênios.

Filmes me levam ao gozo das outras artes e vice-versa. Ao estranho e apaixonante Almodóvar com o “A Pele que Habito”, a estratégia do “Lixo Extraordinário”, às vozes de Elza Soares nos filmes de Mazzaropi, no “Chega de Saudade” de Laís Bodanzky, no “Lisbela e o Prisioneiro”, de Guel Arraes e assim vai.

O cinema me levou a querer “deixar de ser jornalista”, justamente no momento que não era mais necessário o diploma e, foi numa coletiva na Casa dos Jornalistas em Belo Horizonte, junto à cantora Elza Soares, que anunciei o meu primeiro longa-metragem que me leva à música, ao Rio de Janeiro, seus ritos e mitos, a esmiuçar o desejo de fazer filme.

Com o longa-metragem, “Elza Soares A Voz do Brasil”, (nome provisório) em fase de pesquisa e produção, quero compartilhar seu feitio, com interatividade junto ao público, por exemplo, para a escolha do título do filme. Testar cinema transmídia.

O filme com a Elza Soares é uma oportunidade de estudar a nossa cultura a partir de uma diva mítica, arquétipo de um povo invisível e visível que na alegria, voz e arte tira força e vicissitudes, gerando uma ginga original. Isto tem sido um prazer, que faz com que todos os desafios e obstáculos sejam superados.

O cinema me leva e vice-versa. Se sonho, realizo.


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Elizabete Martins Campos
Estudou administração de empresas, no ensino médio, formou em comunicação/jornalismo pela Universidade UNI-BH. Foi produtora, repórter e videoreporter na Rede Minas / TV Cultura. É co-realizadora da Mostra Udigrudi Mundial de Animação, em Betim, onde promove a Mostra Itinerante. Estreou com “Feira Hippie”, 52 minutos, exibido pelo Canal Brasil. Produziu e dirigiu “Que Coso”, entre outros curtas e médias. No Longa-Metragem “Elza Soares – A Voz do Brasil”, nome provisório, é produtora, roteirista, diretora. www.elzasoares.com / elzasoaresavozdobrasil.blogspot.com elzasoaresfilme@itcanal.com e itcanal@itcanal.com 55 31 30755088 e 93017320

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